segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Por quê tantos filmes por terminar de assistir?

Atualmente temos vivido a era da informação
e realmente é tanta informação chegando por todos os lados
que muitas vezes o que era importante a 10 anos atrás torna-se banal nos dias de hoje.

Vejam o exemplo da maçã,
recentemente comentei com vcs
que as frutas de hoje não cheiram mais como cheiravam antigamente

mas

será que o problema são as frutas que não tem mais cheiro
ou nós que estamos entorpecidos pela quantidade de cheiros e de frutas
das grandes cidades em que vivemos?

Todos nós nos lembramos de um filme fantástico
que vimos em nossa infância
mas dificilmente nos lembramos do nome do filme que assistimos ontem...

culpa dos filmes atuais que são meio sem sal nem doce
ou culpa de nós mesmos, que assistimos e fazemos e vemos tantas coisas ao mesmo tempo
que não retemos mais nenhuma informação relevante?

tenho notado que as pessoas estão emburrecendo,
a internet que veio para ajudar está sendo mal utilizada por todos nós na forma dos facebooks, orkuts e outras redes sociais,
onde as pessoas estão a cada dia mais isoladas dentro de seus quartos teclando solitárias em seus computadores...

Vocês já pararam para pensar que existe uma quantidade enoooooorme de filmes que foram/são feitos atualmente
e que a graaaaaaaaaaande maioria é feita usando a mesma fórmula batida hollywoodiana
que todos vocês sabem qual é e sabem o desfecho final apenas após 15 minutos de filme?

Por isso que todos temos tantos filmes inacabados de assistir na estante de nossas casas,
os filmes em sua maioria são fórmulas acabadas, pegando um clichê após o outro, uma mocinha em perigo,
um herói ou heroína traumatizados que estão justamente naquele lugar em que tudo acontece

e quando surgem coisas novas, desafiadoras, como Avatar, o novo filme do diretor James Cameron,
sentimos uma lufada de ar novo entrando pela janela
e renovando as nossas idéias e concepções.

Cinema é Cultura.

Mas está se tornando a cada dia mais um produto de massa,
penso que por isto gosto tanto de cinema europeu, dos filmes de Almodovar, do cinema francês,
temos todos nós, americanos descendentes de europeus ibéricos um atavismo dentro de nós

que faz com que as histórias de espanhóis e portugueses nos sejam tão próximas,
nos sejam tão caras,
nos sejam tão belas.

Abelardo Barbosa dizia que em televisão nada se cria, tudo se copia.
Cinema tem sido assim em muitos dos filmes que temos visto.
Dá-se um ctrl c ctrl v e temos uma fornada de filmes novos saindo,,

todos iguaizinhos uns ao outros,
parecendo aquele bando de meninos clones de hitler de cabelo partidinho de banda do filme 'Os filhos do Brasil',
se não me falha a memória, dos idos dos anos 70...

Nesta quadra da vida que me encontro
entre os 40 e os cinquenta
tenho pensado mais do que nunca nas coisas boas, nas coisas que deram certo e nas que não deram tão certo assim.

Poderiamos todos nós contar nossas vidas a partir dos filmes que assistimos,
onde estávamos, o que fizemos, como chegamos naquele ou neste momento,
e as coisas nos últimos anos se tornaram mais disponíveis

temos assistido filmes como nunca antes em nossas vidas
as tv a cabo e abertas exibem mais de cem filmes todos os dias em todos os canais
e mesmo assim dificilmente temos lembrança de um filme excepcional nos últimos anos...

Meu filho mais velho sabia todas as falas do filme Rei Leão,
ele parava na porta da sala e soltava um 'look Simba....'
meus filhos cresceram...

Será que as crianças de hoje em dia
ainda fazem isto
e se encantam com os filmes que assistem?

Será que as pessoas sabem que Rosebud é um trenó,
que Rick foi para casablanca por causa das águas
e que Tristan teve uma boa morte por que era aquilo que ele procurou em toda a sua vida?

Haverá um dia que os espartanos deixarão de combater sob a sombra das flechas dos Persas
e um contractor não atirará uma chave de fenda em um iraquiano
nem a rainha amidala morrerá de tristeza...

Neste dia o cinema será redescoberto pelas novas gerações,
que sairão de seus quartos e irão com os amigos para uma sala de cinema
como seus pais faziam a muito tempo atrás em uma galáxia muito distante...

Plínio, no blog jornalistas do Hawai outro dia li um texto e fiquei pensando
será a vida que imita a arte ou a arte que imita a vida?
Termino com a frase da minha redação de 1983 na UCG ' a vida é a arte do saber e quem quiser saber tem que viver'.

Bons filmes a todos!
José Pereira Lopes Jr.

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