Hoje amanheci com saudade de casa
saudade do cheiro da casa onde morava
em Palmeiras de Goiás.
Minha casa era uma chácara
onde havia todo tipo de árvores frutíferas
e onde eu brincava o dia todo no quintal
com meu irmão e meus primos queridos
perto de meus avós, meus tios e minha mãe.
Tinha Anona, que alguns chamam araticum,
cajuzinho tinha uns três pés perto do portão,
caju amarelo, caju vermelho,
laranja, mexerica, manga rosa,
manga comum, coquinho, tantos tipos,
goiaba, ata, banana-maça, marmelo,
abacateiros, limoeiros, jabuticabeiras,
pés de cana-caiana,
pé de romã,
acerola, era uma fartura...
Hoje volto na casa materna,
meus avós já faleceram,
alguns primos que foram meus companheiros de infância também
a chácara foi dividida, os lotes vendidos,
é o progresso chegando, inevitável,
ruas foram abertas, muros foram construídos
e da chácara do Sabino hoje resta quase que somente a casa...
No lugar dos cajueiros ergue-se um prédio
da Caixa Econômica Federal
e do outro lado
o muro da divisa passou em cima das jabuticabeiras
que já não existem mais...
Olho para o quintal
o quintal olha para mim
e por uma fração de segundo
revejo meu avô querido Sabino
colhendo quiabo no quintal
para o almoço que será servido daqui a pouco...
Juro que sinto até o cheiro...
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Um comentário:
emocionante...
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