terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Ema e o Fogo

O fogo se alastra
Serra do Carmo acima
na bela cidade de Palmas
capital do estado do Tocantins.

Uma Ema olha alternadamente
para os sete ovos de sua ninhada
e para o fogo que chega rapidamente
temendo ver sua prole dizimada.

Começa a acerar com afinco
em torno de seu ninho
cobrindo-o com folhas e vinco
fugindo em seguida por outro caminho.

O fogo chega, queima tudo e vai,
deixando intacto o ninho
protegido com tanto zêlo

E quando a terra calcinada esfria
um gambá de passagem
se alimenta da ninhada da ema...

Quando esta chega
e vê a prole perdida
ergue os olhos sobre as cinzas
e solta um rouco lamento
do fundo de seu ser...

Um passarinho,
que do alto tudo assistiu,
ecoa seu lamento sentido
entre as dobras fumegantes da serra.

Atira-se ao espaço
e do seu vôo
parece desprender-se
uma solitária lágrima...

Palmas - Tocantins em 28 de agosto de 2010.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Dia da Partida


Para meu primo Alan Matias, um Corinthiano.



Ontem dia 04 de dezembro de 2011
faleceu o jogador de futebol Sócrates, o Doutor,
um dos grandes jogadores de futebol de nosso país
e que fez parte da maravilhosa seleção brasileira dos anos oitenta.

Redundante seria falar que era um bom jogador,
como desnecessário seria dizer que seus gols de calcanhar
encheram de alegria as arquibancadas de nosso país
neste que muito justamente é chamado de o esporte das multidões.

Sócrates foi, além de jogador de futebol, médico.
E antes de ser tudo isto era um ser humano excepcional,
daqueles que tem opinião própria e fazem a diferença
em qualquer atividade que se disponham a executar.

Ontem foi também o dia da vitória do seu time do coração,
o corinthians, como campeão brasileiro de 2011.
Disse um jornalista que a torcida do corínthias chorou pela manhã
e sorriu a noite, na comemoração do título.

Meu filho mais velho comentou que foi triste
partir no mesmo dia da vitória de seu time do coração.
Eu disse a ele que pensava diferente, que a morte num dia de triunfo
era apenas a Vida se manifestando

e nos mostrando que independentemente das tristezas
ou das vitórias
o tempo
um dia acaba.

Ontem foi o dia da partida
para o Doutor Sócrates...

Obrigado, Doutor!

Que lá em cima
o gramado seja sempre verde
e tenha sempre uma bola rolando na grama
é o que desejo de todo o coração...

sábado, 26 de novembro de 2011

As Coisas antigas

Alguns dias como hoje
me lembro da casa antiga
de minha cidade natal
onde fui criado em Palmeiras de Goiás.

Me lembro do barulho do vento
nas árvores do quintal,dos dias de sol
e também dos dias de chuva, com seu odor característico
e do barulho dos pássaros na alvorada.

Cresci em uma chácara
dentro da cidade, que cresceu
e terminou por nos rodear por todos os lados.
Durante minha infância assisti à cidade chegando cada vez mais perto...

No quintal de casa havia frutas variadas,
pés de manga, jabuticaba, caju, laranja, limão china, limão galego,
pé de lima, romã, abacate, ata, anona, pequi, acerola, carambola.

Na lateral da chácara e nos fundos do quintal havia um canavial,
cana-caiana, pés de bananeiras de várias qualidades, pés de mandioca,
quiabo, sempre com muita fartura e muito cuidado,
faziam a festa com seus frutos nas estações que se sucediam...

Nestes anos todos após ter saído de casa,
sempre me recordei com carinho de minha cidade natal
e em dias como hoje, vendo a chuva caindo no pé da serra,
me recordo mais ainda do cheiro que tinha a terra molhada
quando saía ao quintal para brincar...

Nesta quadra da vida em que me encontro, perto já dos 50 anos de vida,
me recordo claramente da posição de cada árvore no quintal da casa antiga
em que fui criado em Palmeiras de Goiás,
quando era pequeno...

E estas agradáveis recordações, a casa sempre cheia, meu avô sentado
na cadeira da varanda, que até hoje continua no mesmo lugar,
me enchem de alegria, pela oportunidade de ter crescido em um lugar tão bonito,
cheio de pessoas tão bondosas...

Pela vida afora levei comigo a saudade de casa,
a saudade da casa antiga de Palmeiras de goiás que já não existe mais,
de uma Palmeiras de Goiás que ficou no passado e que hoje só vive
em minhas recordações...

Recentemente voltei em Palmeiras de Goiás,
na casa nova onde vivem meus pais,
que é a casa antiga de minha infância,
recentemente reformada...

A cidade Cresceu!
E cercou a antiga chácara do Sabino.
No lugar dos pés de caju, do abacateiro hoje existe uma enorme agência bancária.
Onde era o portão de entrada da chácara e existia uma Bougainville,
hoje é o escritório de minha irmã

E as jabuticabeiras foram arrancadas para a construção
de uma bela loja de variedades...

Mas, por um momento, naquele dia,
parado na varanda, olhando o tempo,
ouvi o mesmo som dos pássaros
e o mesmo cheiro de terra molhada

que cresci sentindo por toda minha infãncia.
Em algum lugar ouvi meu irmão e meus dois primos
saindo correndo gritando para brincar na fazendinha
que fizeram debaixo do limoeiro
no quintal da casa antiga de Palmeiras de Goiás...

E fiquei feliz,
pois o mundo mudou
mas de alguma forma
as coisas antigas ainda estão lá...

Lá ainda estão todas as árvores e todos os passarinhos,
onde o vento move suas folhas
e os pássaros em algazarra pousam em seus galhos

Enquanto a chuva, com seu cheiro característico de terra molhada,
lava tudo isto, pelo nosso finito tempo de vida,que, célere,
não pára de passar...