Quando nasci,
Mamãe dizia,
brilhou uma estrela no céu.
Um dia,
tinha eu 19 anos,
mamãe sentou-se
na beirada de minha cama
e me disse:
Vou ser mãe de novo!
Que alegria!
que felicidade!
Alguns meses depois
nasceu minha irmã,
temporona como as últimas jabuticabas
que chegam no final da estação
e com o seu brilho
deixam sua inesquecível marca.
Minha mãe foi a melhor mãe do mundo,
amorosa, querida, presente,
fez o possível e o impossível
para que estudássemos
fazia uma empada
em alguma sexta-feira do mês
que cheirava pela casa toda
fazia pastéis
que eram uma delícia
ao se comer quentinhos e crocantes
cuidava da gente com carinho e consideração
e ainda trabalhava fora
ou seja, trabalhava duas vezes,
pois o serviço de casa não acaba
ainda mais quando se tem filhos pequenos.
Minha Mãe era professora de ciências
no colégio estadual de Palmeiras de Goiás,
onde se aposentou,
e toda uma geração de palmeirenses
foram seus alunos
recebendo a admiração, o carinho e o respeito de todos.
Nós, seus filhos, fomos abençoados
por ter nascido em uma família tão bacana
de uma mãe tão amorosa.
Hoje, vinte e tantos anos depois que mamãe
se sentou na beirada de minha cama
e anunciou sua nova gravidez
olho, mais uma vez, pelo caminho
que percorremos até aqui e digo:
Mamãe, a senhora estava certa,
no dia que nasci,
brilhou uma estrela no céu...
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