Alguns dias como hoje
me lembro da casa antiga
de minha cidade natal
onde fui criado em Palmeiras de Goiás.
Me lembro do barulho do vento
nas árvores do quintal,dos dias de sol
e também dos dias de chuva, com seu odor característico
e do barulho dos pássaros na alvorada.
Cresci em uma chácara
dentro da cidade, que cresceu
e terminou por nos rodear por todos os lados.
Durante minha infância assisti à cidade chegando cada vez mais perto...
No quintal de casa havia frutas variadas,
pés de manga, jabuticaba, caju, laranja, limão china, limão galego,
pé de lima, romã, abacate, ata, anona, pequi, acerola, carambola.
Na lateral da chácara e nos fundos do quintal havia um canavial,
cana-caiana, pés de bananeiras de várias qualidades, pés de mandioca,
quiabo, sempre com muita fartura e muito cuidado,
faziam a festa com seus frutos nas estações que se sucediam...
Nestes anos todos após ter saído de casa,
sempre me recordei com carinho de minha cidade natal
e em dias como hoje, vendo a chuva caindo no pé da serra,
me recordo mais ainda do cheiro que tinha a terra molhada
quando saía ao quintal para brincar...
Nesta quadra da vida em que me encontro, perto já dos 50 anos de vida,
me recordo claramente da posição de cada árvore no quintal da casa antiga
em que fui criado em Palmeiras de Goiás,
quando era pequeno...
E estas agradáveis recordações, a casa sempre cheia, meu avô sentado
na cadeira da varanda, que até hoje continua no mesmo lugar,
me enchem de alegria, pela oportunidade de ter crescido em um lugar tão bonito,
cheio de pessoas tão bondosas...
Pela vida afora levei comigo a saudade de casa,
a saudade da casa antiga de Palmeiras de goiás que já não existe mais,
de uma Palmeiras de Goiás que ficou no passado e que hoje só vive
em minhas recordações...
Recentemente voltei em Palmeiras de Goiás,
na casa nova onde vivem meus pais,
que é a casa antiga de minha infância,
recentemente reformada...
A cidade Cresceu!
E cercou a antiga chácara do Sabino.
No lugar dos pés de caju, do abacateiro hoje existe uma enorme agência bancária.
Onde era o portão de entrada da chácara e existia uma Bougainville,
hoje é o escritório de minha irmã
E as jabuticabeiras foram arrancadas para a construção
de uma bela loja de variedades...
Mas, por um momento, naquele dia,
parado na varanda, olhando o tempo,
ouvi o mesmo som dos pássaros
e o mesmo cheiro de terra molhada
que cresci sentindo por toda minha infãncia.
Em algum lugar ouvi meu irmão e meus dois primos
saindo correndo gritando para brincar na fazendinha
que fizeram debaixo do limoeiro
no quintal da casa antiga de Palmeiras de Goiás...
E fiquei feliz,
pois o mundo mudou
mas de alguma forma
as coisas antigas ainda estão lá...
Lá ainda estão todas as árvores e todos os passarinhos,
onde o vento move suas folhas
e os pássaros em algazarra pousam em seus galhos
Enquanto a chuva, com seu cheiro característico de terra molhada,
lava tudo isto, pelo nosso finito tempo de vida,que, célere,
não pára de passar...
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